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Vir-a-ser

Aluno de Dulcina de Moraes, Eugênio Barba (Odin Teatret) e Ariane Mnouchkine (Théâtre du Soleil), entre outros mestres, André Amaro é um personagem múltiplo derramado nas páginas de Teatro Caleidoscópio, sugestivo tratado sobre a arte cênica trabalhada por uma ótica peculiar fundamentada na pluralidade oferecida pelos efeitos daquele instrumento lúdico que permite infinitas combinações de imagens.

Aqui, este aprendiz da fragmentação nos conduz a alguns importantes princípios que remetem à viagem maior de seu Teatro Caleidoscópio, criado em 1994, e nos propõe um meticuloso trabalho de abertura à sensação libertadora proporcionada pelo movimento cênico, para o qual o ator tem de desenvolver a consciência de que o corpo é um templo. É daí que, tal e qual num caleidoscópio, brotam infinitudes.

Também nos convida a desfrutar do chamado “poder da inteligência infantil”, aquele que exercita “os músculos da imaginação”. Vale mais estar atento, no dia-a-dia, ao sentido do presente. E à sucessão de sensações que explodem, feito big bangs, dentro do universo de cada um. Mais do que um ato de contemplação, o espectador é conduzido ao seu próprio mundo, uma profusão de vivências e formas tão subjetivas como construtoras de prazer. Não por acaso uma das fontes de nosso personagem-autor-aprendiz é a artista estadunidense Cozy Baker, difusora mundial da arte de David Brewster (criador do caleidoscópio), de quem ele cita, numa das passagens do livro: “O caleidoscópio é um imenso reservatório de felicidade”.

Do trampolim da improvisação, André Amaro entende, pratica e estuda o exercer teatral como a dádiva por meio da qual o artista deixa fluir, por seu corpo-templo, a flexibilidade maturada no imprevisível. Ao Teatro Caleidoscópio não interessa o que está pronto. Faz sentido, abre apetites e ilumina a alma justamente aquilo que pulsa no vir-a-ser, seu alimento primordial.

A grande virtude é saber que, na arte da improvisação, existe riqueza tanto mais quanto se utilize o desprendimento do improviso para criar. Nesse “magistério da brincadeira”, atenta André, são fundamentais a consciência de que existe mistério e o respeito ao sentido do assombro. E é assim que este artista mantém a porta sempre aberta à multiplicidade, celebrando o que está, permanentemente, em movimento, por-fazer.

Chico Neto, jornalista


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