Veja o que está em cartaz no Teatro Caleidoscópio e programe-se.
+ Mais
 
  Teatro para adultos, adolescentes e crianças. Confira a programação de cursos do Teatro Caleidoscópio
+ Mais
 
Cadastre-se em nossa newsletter e receba as informações, novidades e promoções do Teatro em seu e-mail.
Nome: E-mail:
   
  Clique aqui e acompanhe a programação do Teatro Caleidoscópio  
MARIA - CIA. RODINHA DE TEATRO

“Maria” se passa num local ambientado com arquétipos do nordeste brasileiro. Trata-se de um exemplar do teatro do absurdo, numa versão brasileira inspirada em “Os Rinocerontes”, de Eugène Ionesco, onde as pessoas se transformam em rinocerontes aderindo a uma estranha moléstia. Aviltadas porém corrompidas, estas pessoas deixam de lutar pela sua própria dignidade. Em “Maria”, a globalização, como uma peste devastadora, invade o nordeste, anulando as referências culturais e a própria existência de seus habitantes.

A CIA RODINHA DE TEATRO é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que pesquisa, elabora e desenvolve estudos e debates na área cultural. Fundada em 1998, já realizou três trabalhos: 3001 – O Oráculo (1999); A Suíte (1999 e 2000) e O Abajur Lilás (2001). Desde agosto de 2002, a Companhia vem estudando técnicas e diferentes montagens de diversos teatrólogos, priorizando Antunes Filho e Peter Brook, bem como textos do Teatro do Absurdo.


Crítica sobre a peça
Quatro vidas nordestinas
Cláudio Ferreira - Correio Braziliense = 14.03.2003

A dúvida sobre a bondade de Deus permeia toda a ação do espetáculo Maria, em cartaz no Teatro Caleidoscópio. Quatro nordestinos, cada um com sua desgraça particular, põem em xeque a toda hora o destino que lhes foi reservado. O diretor Julio Cruccioli soube explorar as contradições destes personagens, que vão do riso ao choro em questão de minutos. E o público acompanha essas emoções.

A princípio, o espectador pensa estar diante de um nordeste convencional e se prepara para ouvir lamentações. Elas vêm, mas acompanhadas do humor nordestino característico. Os quatro vizinhos se atacam e se atraem, se culpam e culpam os outros pela situação de miséria em que estão. Ainda encontram forças para ter sentimentos como sede de vingança e sede de amor. Enfim, pessoas normais, gente que, mesmo em ambiente adverso, insiste em viver.

Ao diminuto tamanho do palco do Caleidoscópio corresponde uma montagem também enxuta. Cenários nus, figurinos contidos, tudo para centrar o espetáculo nas interpretações. Os atores desempenham bem seus papéis: alguns exageram um pouco no sotaque nordestino, quase tendendo para a caricatura, mas conseguem passar para o público a diferença de personalidade de cada um.

A história, uma criação coletiva, caminha para um desfecho surpreendente. Mas a solução final, que apela para a modernidade, parece meio deslocada do contexto. Mesmo com essa falha de concepção, Maria é um espetáculo sensível, que merece ser apreciado.

FICHA TÉCNICA
Direção l Júlio Cruccioli
Elenco l Verônica Moreno, Meny Vieira, Flávia Louredo e Paulinho Russo.

O diretor Júlio Cruccioli nascido em outubro de 1972, na cidade do Gama, Brasília/DF, iniciou sua carreira artística em 1994. É Bacharel em Direção Teatral pela “Faculdade de Artes Dulcina de Moraes - FADM” e, é também, Bacharel em Jornalismo pelo “Instituto de Ensino Superior de Brasília – IESB” e Mestre em Filosofia da Arte pela “Universidade de Coimbra - Portugal”.

Como ator:
Foi dirigido por importantes diretores em Brasília, como, Humberto Pedrancini; os irmãos Adriano e Fernando Guimarães; Murilo Eckhadt e Jesus Vivas, entre outros. Atuou em espetáculos de grandes dramaturgos como Nelson Rodrigues – “Mulher sem pecado”; Chico Buarque e Rui Guerra – “Gota d’água; Pedro Bloch – “As mãos de Eurídice”; Samuel Beckett – “Esperando Godot” e “O inominável”; Slawomir Mrözek – “Em alto mar”; Bertolt Brecht – “Dansen: o depósito de ferro”; Padre Antônio Vieira (texto baseado em alguns sermões) – “Épos”; William Shakespeare – “Sonho de uma noite de verão”; e, texto medieval de autor desconhecido – “As farsas do Mestre Pathelan”.

Como Diretor:
Hoje, reconhece ser um eterno apaixonado pelo “Teatro do Absurdo”, o que o levou a escrever e dirigir, sem dúvida alguma, uma de suas maiores experiências: “3001 – O Oráculo” (texto futurista que aborda a cibernética através da linguagem do Absurdo), que recebeu o Prêmio Sesc de diretor revelação em 1997. O trabalho foi remontado em março de 1999. Montou ainda “A Morte e o Suicida” (texto próprio) em 1997 e “A Suíte” (texto próprio que aborda a loucura humana) em 1999, montagem essa que participou de alguns festivais de teatro no Brasil (prêmio de melhor atriz e melhor espetáculo, no Festival de Americana em São Paulo). Também dirigiu leituras dramáticas dos textos: “O Rinoceronte”, de Eugenè Ionesco, e “Cartas de Amor de Lord Byron”, de Tennessee Williams.

Em março de 2001 levou à platéia de Brasília “O Abajur Lilás” de Plínio Marcos. Em agosto do mesmo ano estreou (no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, em Brasília) “Doce Novembro” de Marcus Motta (Doutor em dramaturgia pela Universidade de Brasília). Em fevereiro de 2003 estreou, e fez temporada, o espetáculo “Maria” (texto próprio, resultado de pesquisa sobre o nordeste brasileiro, numa linguagem do teatro do absurdo). E, em novembro de 2003, “Striptease” de Slawomir Mrözek.

Outras Experiências:
Estudou com Antunes Filho no “Centro de Pesquisa Teatral – CPT” no ano de 2002 (240h/aulas). No mesmo ano, estudou com Peter Brook (120h/aula) – num programa desenvolvido pelo Ministério da Cultura de Portugal em parceria com a Universidade de Coimbra , também, em Portugal, para os membros de países da língua portuguesa. Foi Assistente de Direção do espetáculo intitulado “Cervantes: Master of the Interlude” sob direção de Hugo Medrano, a convite do Teatro Hispano – Gala Hispanic Theatre, por meio do BACI – Brazilian American Cultural Institute, Inc, em Washington, Estados Unidos. Curadoria de José Neistein (Ph. D. em Estética e Diretor-Executivo do Instituto).

 Voltar